Parques na Escócia – será o mesmo planeta?
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Reciclagem marinha alterada
– As bactérias quitinolíticas são
microrganismos fundamentais para os ecossistemas marinhos, pois produzem
uma enzima conhecida como quitinase, por meio da qual exercem um papel
importante no processo de degradação da quitina, principal constituinte
do exoesqueleto dos artrópodes e moluscos.
Um novo estudo feito na Universidade de São Paulo (USP) indica que,
em ambientes onde há maior impacto de atividades humanas e maior nível
de contaminação fecal, essas bactérias apresentam, por um lado, maior
capacidade de produzir quitinase – que tem aplicações potenciais na
agricultura, medicina e em processos biotecnológicos. Mas, por outro
lado, têm sua diversidade reduzida, o que pode gerar desequilíbrios
ambientais.
O estudo correspondeu à tese de doutorado de Claudiana Paula de Souza-Sales, defendida em agosto no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, com apoio da FAPESP.
A pesquisa foi orientada pela professora Irma Rivera, do Laboratório de Ecologia Microbiana Molecular do Departamento de Microbiologia do ICB, que coordena o projeto de pesquisa “Diversidade de microrganismos marinhos, com ênfase em proteobactérias vibrios, colífagos, leveduras e bactérias quitinolíticas”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
De acordo com Irma, o estudo avaliou a diversidade das bactérias quitinolíticas isoladas de amostras de água do mar e de plâncton coletadas em três pontos da região costeira do Estado de São Paulo, com diferentes níveis de atividade antropogênica: Baixada Santista, canal de São Sebastião e Ubatuba.
“O nível de contaminação fecal presente em cada ambiente estudado influenciou significativamente a diversidade e o potencial enzimático das bactérias. A maior diversidade – abrangendo 19 gêneros – foi encontrada nas amostras do canal de São Sebastião e de Ubatuba, que têm médio e baixo nível de impacto antropogênico, respectivamente”, disse à Agência FAPESP.
Já na Baixada Santista, onde o impacto antropogênico é muito maior, com presença de poluição doméstica e industrial, a diversidade de gêneros das bactérias foi muito menor. “Mais de 78% das bactérias quitinolíticas presentes ali pertenciam ao gênero Aeromonas sp, disse a professora, que é embaixadora do Brasil na Sociedade Norte-Americana de Microbiologia (ASM, na sigla em inglês).
Segundo a pesquisadora, diferentemente do que se pensava no passado, nem todas bactérias são patogênicas e algumas têm funções importantes em determinados nichos ecológicos. As bactérias quitinolíticas degradam as carapaças de animais marinhos. Dados da literatura internacional estimam a produção total de quitina nos oceanos, durante o verão, entre 10 elevado a nove e 10 elevado a 11 toneladas métricas.
“Grande parte dos animais marinhos troca de exoesqueleto no verão e essa matéria é lançada no ambiente em imensas quantidades. A maior parte dessa produção é proveniente da carapaça de zooplâncton. Essas bactérias usam quitinases principalmente para digerir quitina como uma fonte de nutrientes e possibilitam, dessa forma, a reciclagem desse polissacarídeo nos oceanos”, explicou.
Para realizar o estudo Claudiana fez o isolamento e a contagem das bactérias, cultivadas em amostras de substrato marinho das três áreas do litoral paulista. As bactérias obtidas foram caracterizadas por métodos fenotípicos e genotípicos. Foram isoladas, no total, 492 bactérias quitinolíticas.
“Ela contou tanto amostras de água como de plâncton, já que dentro dele também há presença dos microrganismos”, disse Irma. O plâncton foi obtido com rede de malha de 100 micrômetros.
Nas amostras de água do mar foram determinados parâmetros físico-químicos (como temperatura, pH, salinidade e condutividade) e microbiológicos (coliformes termotolerantes e enterococos intestinais, entre outros).
A produção de quitinase das bactérias pode ser v
isualizada a partir de um halo formado no meio mínimo contendo quitina coloidal. “Quando os microrganismos consomem a quitina, forma-se um halo, que é medido nas diferentes amostras. Quanto maior o halo, maior a expressão da enzima quitinase”, explicou Irma.
Aplicações e equilíbrio
Segundo o estudo, os maiores valores de quitinases foram detectados em bactérias de água do mar na Baixada Santista, onde há o maior impacto antropogênico. Mas ali também houve a menor diversidade de gêneros. O trabalho concluiu que a diversidade de bactérias quitinolíticas e o potencial de produção de quitinases foram influenciados pelo nível de contaminação fecal presente no ambiente.
Quando há alta concentração de contaminação orgânica no ambiente aquático, as bactérias podem aumentar a produção de quitinase, degradando maiores quantidades de quitina e balanceando o sistema ecológico novamente. Mas, a partir de certo limite, a contaminação passa a ser muito grande e o corpo d’água pode perder a capacidade de recuperação.
“Para viver em um ambiente inóspito, com alta atividade antropogênica, as bactérias criam mecanismos de sobrevivência natural. O estudo confirmou que, na Baixada Santista, as bactérias quitinolíticas têm maior capacidade de degradação dos substratos. Esse poder exacerbado pode trazer vantagens para o uso biotecnológico. Mas, por outro lado, estamos perdendo a identidade ecológica do ambiente e a diversidade desses microrganismos”, destacou Irma.
Com os níveis de poluição doméstica e industrial da Baixada Santista é possível que já haja bactérias capazes de degradar produtos recalcitrantes. Com essa capacidade, elas poderiam ser utilizadas industrialmente no futuro. “Mas não adianta ter uma ‘superbactéria’ se esse processo também está matando os peixes e destruindo a diversidade do ecossistema marinho”, afirmou.
As bactérias quitinolíticas têm aplicações biotecnológicas na agricultura, para controle de insetos e fungos ou para o desenvolvimento de plantas transgênicas resistentes ao ataque de microrganismos.
“As bactérias poderiam ser utilizadas na produção de quitosana a partir de quitina de crustáceos e ostras, no tratamento de efluentes de indústria alimentícia e na medicina, para o desenvolvimento de compostos biologicamente ativos para uso em atividade antitumoral”, disse a professora do ICB.
Fonte
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP:agencia.fapesp.br/11034
Prublicado por Gestor Ambiental
O estudo correspondeu à tese de doutorado de Claudiana Paula de Souza-Sales, defendida em agosto no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, com apoio da FAPESP.
A pesquisa foi orientada pela professora Irma Rivera, do Laboratório de Ecologia Microbiana Molecular do Departamento de Microbiologia do ICB, que coordena o projeto de pesquisa “Diversidade de microrganismos marinhos, com ênfase em proteobactérias vibrios, colífagos, leveduras e bactérias quitinolíticas”, apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
De acordo com Irma, o estudo avaliou a diversidade das bactérias quitinolíticas isoladas de amostras de água do mar e de plâncton coletadas em três pontos da região costeira do Estado de São Paulo, com diferentes níveis de atividade antropogênica: Baixada Santista, canal de São Sebastião e Ubatuba.
“O nível de contaminação fecal presente em cada ambiente estudado influenciou significativamente a diversidade e o potencial enzimático das bactérias. A maior diversidade – abrangendo 19 gêneros – foi encontrada nas amostras do canal de São Sebastião e de Ubatuba, que têm médio e baixo nível de impacto antropogênico, respectivamente”, disse à Agência FAPESP.
Já na Baixada Santista, onde o impacto antropogênico é muito maior, com presença de poluição doméstica e industrial, a diversidade de gêneros das bactérias foi muito menor. “Mais de 78% das bactérias quitinolíticas presentes ali pertenciam ao gênero Aeromonas sp, disse a professora, que é embaixadora do Brasil na Sociedade Norte-Americana de Microbiologia (ASM, na sigla em inglês).
Segundo a pesquisadora, diferentemente do que se pensava no passado, nem todas bactérias são patogênicas e algumas têm funções importantes em determinados nichos ecológicos. As bactérias quitinolíticas degradam as carapaças de animais marinhos. Dados da literatura internacional estimam a produção total de quitina nos oceanos, durante o verão, entre 10 elevado a nove e 10 elevado a 11 toneladas métricas.
“Grande parte dos animais marinhos troca de exoesqueleto no verão e essa matéria é lançada no ambiente em imensas quantidades. A maior parte dessa produção é proveniente da carapaça de zooplâncton. Essas bactérias usam quitinases principalmente para digerir quitina como uma fonte de nutrientes e possibilitam, dessa forma, a reciclagem desse polissacarídeo nos oceanos”, explicou.
Para realizar o estudo Claudiana fez o isolamento e a contagem das bactérias, cultivadas em amostras de substrato marinho das três áreas do litoral paulista. As bactérias obtidas foram caracterizadas por métodos fenotípicos e genotípicos. Foram isoladas, no total, 492 bactérias quitinolíticas.
“Ela contou tanto amostras de água como de plâncton, já que dentro dele também há presença dos microrganismos”, disse Irma. O plâncton foi obtido com rede de malha de 100 micrômetros.
Nas amostras de água do mar foram determinados parâmetros físico-químicos (como temperatura, pH, salinidade e condutividade) e microbiológicos (coliformes termotolerantes e enterococos intestinais, entre outros).
A produção de quitinase das bactérias pode ser v
isualizada a partir de um halo formado no meio mínimo contendo quitina coloidal. “Quando os microrganismos consomem a quitina, forma-se um halo, que é medido nas diferentes amostras. Quanto maior o halo, maior a expressão da enzima quitinase”, explicou Irma.
Aplicações e equilíbrio
Segundo o estudo, os maiores valores de quitinases foram detectados em bactérias de água do mar na Baixada Santista, onde há o maior impacto antropogênico. Mas ali também houve a menor diversidade de gêneros. O trabalho concluiu que a diversidade de bactérias quitinolíticas e o potencial de produção de quitinases foram influenciados pelo nível de contaminação fecal presente no ambiente.
Quando há alta concentração de contaminação orgânica no ambiente aquático, as bactérias podem aumentar a produção de quitinase, degradando maiores quantidades de quitina e balanceando o sistema ecológico novamente. Mas, a partir de certo limite, a contaminação passa a ser muito grande e o corpo d’água pode perder a capacidade de recuperação.
“Para viver em um ambiente inóspito, com alta atividade antropogênica, as bactérias criam mecanismos de sobrevivência natural. O estudo confirmou que, na Baixada Santista, as bactérias quitinolíticas têm maior capacidade de degradação dos substratos. Esse poder exacerbado pode trazer vantagens para o uso biotecnológico. Mas, por outro lado, estamos perdendo a identidade ecológica do ambiente e a diversidade desses microrganismos”, destacou Irma.
Com os níveis de poluição doméstica e industrial da Baixada Santista é possível que já haja bactérias capazes de degradar produtos recalcitrantes. Com essa capacidade, elas poderiam ser utilizadas industrialmente no futuro. “Mas não adianta ter uma ‘superbactéria’ se esse processo também está matando os peixes e destruindo a diversidade do ecossistema marinho”, afirmou.
As bactérias quitinolíticas têm aplicações biotecnológicas na agricultura, para controle de insetos e fungos ou para o desenvolvimento de plantas transgênicas resistentes ao ataque de microrganismos.
“As bactérias poderiam ser utilizadas na produção de quitosana a partir de quitina de crustáceos e ostras, no tratamento de efluentes de indústria alimentícia e na medicina, para o desenvolvimento de compostos biologicamente ativos para uso em atividade antitumoral”, disse a professora do ICB.
Fonte
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP:agencia.fapesp.br/11034
Prublicado por Gestor Ambiental
terça-feira, 21 de maio de 2013
Banho de bactérias
(Governo, Meio ambiente)
Chuveiros domésticos acumulam grandes quantidades de bactéria
que pode causar infecções pulmonares em pessoas com sistema imunológico
enfraquecido, de acordo com estudo norte-americano
__________
Os chuveiros domésticos oferecem um ambiente propício para a proliferação de micróbios potencialmente patogênicos, que podem ser inalados na forma de partículas suspensas, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado (UC) em Boulder, nos Estados Unidos.
A pesquisa, que será publicada esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), concluiu que cerca de 30% dos chuveiros analisados abrigava níveis consideráveis de Mycobacterium avium, ligada a doenças pulmonares. O patógeno contamina com mais frequência pessoas com sistemas imunológicos comprometidos e, eventualmente, pode infectar também pessoas saudáveis.
De acordo com o autor principal do estudo, Norman Pace, professor do Departamento de Biologia Molecular, Celular e de Desenvolvimento da UC, os cientistas analisaram cerca de 50 chuveiros de nove cidades em sete estados norte-americanos.
Não é surpreendente encontrar patógenos em águas da rede pública, de acordo com Pace, mas os pesquisadores descobriram que algumas das bactérias se aglutinam, formando um “biofilme” viscoso que adere ao interior dos chuveiros, em uma concentração mais de 100 vezes maior que a encontrada na água encanada.
“Quando a pessoa liga o chuveiro e recebe um jato de água, provavelmente está levando também uma carga particularmente elevada de Mycobacterium avium, que pode não ser muito saudável”, disse Pace. O estudo é parte de um esforço maior de sua equipe, cujo objetivo é avaliar a microbiologia dos ambientes internos, com apoio da Fundação Alfred P. Sloan.
Outra pesquisa realizada pelo Hospital Nacional Judaico, em Denver, indicou que houve um crescimento nos Estados Unidos, nas últimas décadas, de infecções pulmonares relacionadas a espécies de bactérias não ligadas à tuberculose, como a Mycobacterium avium. Segundo os autores, esse crescimento pode estar ligado ao fato de a população do país ter passado a utilizar mais o chuveiro e menos a banheira.
“A água que jorra do chuveiro pode distribuir gotículas recheadas de patógenos que ficam suspensos no ar e podem ser facilmente inalados, penetrando nas partes mais profundas dos pulmões”, afirmou Pace.
Os sintomas da doença pulmonar causada pelo M. avium, segundo o estudo, podem incluir cansaço, tosse seca persistente, falta de ar, fraqueza e sensação geral de mal-estar. “Pessoas com o sistema imunológico comprometido, como mulheres grávidas, idosos e aqueles que estão lutando contra outras doenças, são mais propensas a tais sintomas”, disse.
De olho na água
Embora os cientistas tenham tentado testar a presença de patógenos
nos chuveiros por meio de cultura de células, essa técnica é incapaz,
segundo Pace, de detectar 99,9% das espécies de bactérias presentes em
um determinado ambiente.
Uma técnica de genética molecular desenvolvida pelo grupo do pesquisador na década de 1990 permitiu a retirada de amostras diretamente dos chuveiros, isolando o DNA e amplificando-o com utilização da reação em cadeia da polimerase, a fim de determinar as sequências de genes presentes, possibilitando a identificação de tipos de patógenos específicos.
“Houve alguns precedentes que indicavam que os chuveiros podiam gerar alguma preocupação, mas até esse estudo, não sabíamos o quanto o problema podia ser relevante”, disse Pace.
Durante as primeiras fases da pesquisa, a equipe testou chuveiros em pequenas cidades, muitas das quais estava usando água de poço e não encanada. “Inicialmente, achamos que os níveis de patógenos detectados nos chuveiros se deviam a isso. Mas, quando começamos a trabalhar os dados de Nova York, vimos uma grande quantidade de M. avium e o estudo foi revigorado”, disse.
Além da técnica de coleta de amostras do chuveiro, a equipe utilizou outro processo: várias duchas foram partidas em pedaços pequenos, que foram revestidos de ouro. Um corante fluorescente foi usado para marcar as superfícies e, com um microscópio eletrônico de varredura, os pesquisadores puderam observar as superfícies em detalhe.
Apesar dos resultados, Pace ressalta que provavelmente não é perigoso utilizar chuveiros para tomar banho, contanto que o sistema imune da pessoa não esteja comprometido de alguma maneira. Segundo ele, como os chuveiros de plástico apresentam uma carga maior de patógenos, os chuveiros de metal podem ser uma boa alternativa.
“Há lições a serem aprendidas aqui em termos de como controlar a água e lidar com ela. O monitoramento da água é muitas vezes arcaico. Já existem ferramentas para fazê-lo com mais precisão, de forma mais barata que a utilizada hoje em dia”, disse.
O artigo Opportunistic pathogens enriched in showerhead biofilms, de Norman Pace e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em http://www.pnas.org .
Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11063/divulgacao-cientifica/banho-de-bacterias.htm
Pesquisa/Divulgação:Gestor ambiental
__________
Mycobacterium aviu.
___________//_________________________Os chuveiros domésticos oferecem um ambiente propício para a proliferação de micróbios potencialmente patogênicos, que podem ser inalados na forma de partículas suspensas, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado (UC) em Boulder, nos Estados Unidos.
A pesquisa, que será publicada esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), concluiu que cerca de 30% dos chuveiros analisados abrigava níveis consideráveis de Mycobacterium avium, ligada a doenças pulmonares. O patógeno contamina com mais frequência pessoas com sistemas imunológicos comprometidos e, eventualmente, pode infectar também pessoas saudáveis.
De acordo com o autor principal do estudo, Norman Pace, professor do Departamento de Biologia Molecular, Celular e de Desenvolvimento da UC, os cientistas analisaram cerca de 50 chuveiros de nove cidades em sete estados norte-americanos.
Não é surpreendente encontrar patógenos em águas da rede pública, de acordo com Pace, mas os pesquisadores descobriram que algumas das bactérias se aglutinam, formando um “biofilme” viscoso que adere ao interior dos chuveiros, em uma concentração mais de 100 vezes maior que a encontrada na água encanada.
“Quando a pessoa liga o chuveiro e recebe um jato de água, provavelmente está levando também uma carga particularmente elevada de Mycobacterium avium, que pode não ser muito saudável”, disse Pace. O estudo é parte de um esforço maior de sua equipe, cujo objetivo é avaliar a microbiologia dos ambientes internos, com apoio da Fundação Alfred P. Sloan.
Outra pesquisa realizada pelo Hospital Nacional Judaico, em Denver, indicou que houve um crescimento nos Estados Unidos, nas últimas décadas, de infecções pulmonares relacionadas a espécies de bactérias não ligadas à tuberculose, como a Mycobacterium avium. Segundo os autores, esse crescimento pode estar ligado ao fato de a população do país ter passado a utilizar mais o chuveiro e menos a banheira.
“A água que jorra do chuveiro pode distribuir gotículas recheadas de patógenos que ficam suspensos no ar e podem ser facilmente inalados, penetrando nas partes mais profundas dos pulmões”, afirmou Pace.
Os sintomas da doença pulmonar causada pelo M. avium, segundo o estudo, podem incluir cansaço, tosse seca persistente, falta de ar, fraqueza e sensação geral de mal-estar. “Pessoas com o sistema imunológico comprometido, como mulheres grávidas, idosos e aqueles que estão lutando contra outras doenças, são mais propensas a tais sintomas”, disse.
De olho na água
Chuveiros
domésticos acumulam grandes quantidades de bactéria que pode causar
infecções pulmonares em pessoas com sistema imunológico enfraquecido, de
acordo com estudo norte-americano (Foto: Divulgação)
Uma técnica de genética molecular desenvolvida pelo grupo do pesquisador na década de 1990 permitiu a retirada de amostras diretamente dos chuveiros, isolando o DNA e amplificando-o com utilização da reação em cadeia da polimerase, a fim de determinar as sequências de genes presentes, possibilitando a identificação de tipos de patógenos específicos.
“Houve alguns precedentes que indicavam que os chuveiros podiam gerar alguma preocupação, mas até esse estudo, não sabíamos o quanto o problema podia ser relevante”, disse Pace.
Durante as primeiras fases da pesquisa, a equipe testou chuveiros em pequenas cidades, muitas das quais estava usando água de poço e não encanada. “Inicialmente, achamos que os níveis de patógenos detectados nos chuveiros se deviam a isso. Mas, quando começamos a trabalhar os dados de Nova York, vimos uma grande quantidade de M. avium e o estudo foi revigorado”, disse.
Além da técnica de coleta de amostras do chuveiro, a equipe utilizou outro processo: várias duchas foram partidas em pedaços pequenos, que foram revestidos de ouro. Um corante fluorescente foi usado para marcar as superfícies e, com um microscópio eletrônico de varredura, os pesquisadores puderam observar as superfícies em detalhe.
Apesar dos resultados, Pace ressalta que provavelmente não é perigoso utilizar chuveiros para tomar banho, contanto que o sistema imune da pessoa não esteja comprometido de alguma maneira. Segundo ele, como os chuveiros de plástico apresentam uma carga maior de patógenos, os chuveiros de metal podem ser uma boa alternativa.
“Há lições a serem aprendidas aqui em termos de como controlar a água e lidar com ela. O monitoramento da água é muitas vezes arcaico. Já existem ferramentas para fazê-lo com mais precisão, de forma mais barata que a utilizada hoje em dia”, disse.
O artigo Opportunistic pathogens enriched in showerhead biofilms, de Norman Pace e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em http://www.pnas.org .
Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/11063/divulgacao-cientifica/banho-de-bacterias.htm
Pesquisa/Divulgação:Gestor ambiental
sábado, 18 de maio de 2013
Perto de um caminho sem volta
- Postado por Alan AzevedoOs níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiram pela primeira vez na história humana 400 partes por milhão (ppm). Na última vez em que os níveis estiveram altos, a temperatura média global aumentou entre 3 e 4°C, enquanto nas regiões polares o aumento foi de 10°C.Existem duas razões para se preocupar seriamente com a medição de CO2 deste ano. Estamos atingindo limite simbólico de 400 ppm, mostrando o quão longe chegamos desde os níveis pré-industruais de 280 ppm ou do valor máximo de segurança recomendado por cientistas em 350 ppm. Ainda mais alarmante é que este ano os níveis de concentração de CO2 aumentaram muito mais rápido do que nos outros anos.
Alcançaremos o nível de 1000 ppm em apenas cem anos se as emissões continuarem no ritmo atual. Em mudanças climáticas pré-históricas, demorava-se 1000 anos para aumentar apenas 10 ppm, por exemplo. Estamos alterando as condições com as quais a civilização se desenvolveu, num ritmo que desafia nossa capacidade de adaptação e mudança.
Os maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa são os combustíveis fósseis e o desmatamento. E não existe uma proposta de redução de emissão, pelo contrário, a existência de mega projetos de extração de carvão na Austrália, China e Estados Unidos e a exploração de pre-sal no Brasil, pode levar à aceleração do aquecimento global totalmente fora de controle.
O relatório, do Greenpeace, apresenta os 14 maiores projetos de energias sujas planejados para as próximas décadas e seus impactos na emissões, e reforça a necessidade de se investir em energias limpas como solar e eólica, fontes renováveis e abundantes em países como o Brasil.
Fonte: Greenpeace) 14 - mai - 2013 às 15:51
sexta-feira, 29 de março de 2013
Nova espécie de peixe é encontrada a 4,2 km no fundo do mar – Jornal do Brasil
Pesquisadores da universidade britânica de Aberdeen descobriram uma nova espécie de peixe no norte da Nova Zelândia. O animal foi encontrado a 4,25 quilômetros do nível do mar.
As buscas foram realizadas entre 1 km e 6,5 km da superfície, e resultaram em várias descobertas. Entre elas está o peixe da família Zoarcidae, que ainda não recebeu um nome científico.
O volume de dados descobertos na última expedição, somado ao que já se tinha apurado em águas profundas, faz com que se tenha pesquisado mais em profundidade do que a altura do monte Everest.
No estudo, foram usadas sondas com câmeras capazes de suportar grandes profundidades, além de iscas para atrair os animais.
A expedição de pesquisa – que envolveu cientistas da universidade de Aberdeen, de um museu da Nova Zelândia e de um instituto de pesquisas marinhas do mesmo país – explorou águas profundas, abaixo da linha em que a luz chega, em um dos lugares de maior profundidade do mundo, podendo chegar a 10 quilômetros abaixo do nível do mar.
O líder da viagem, o pesquisador Alan Jamieson, disse que “nunca se está bem certo do que se vai encontrar nessas expedições a territórios desconhecidos”.
“Nosso objetivo era descobrir mais sobre os peixes das profundezas e estamos felizes com nossas descobertas”, completou Jamieson.
O volume de dados descobertos na última expedição, diz Jamieson, somado ao que já se tinha apurado de águas profundas, faz com que se tenha pesquisado mais em profundidade do que a altura do monte Everest.
As novas espécies farão agora parte do Museu da Nova Zelândia/Te Papa Tongarewa.
Fonte:
Jornal do Brasil
quarta-feira, 27 de março de 2013
O que está acontecendo com o clima?
“As
enchentes catastróficas e as fortes tempestades que estamos tendo se
tornarão mais freqüentes.” — Thomas Loster, especialista em riscos
climáticos.
Há realmente algo de errado com o clima do mundo?
Muitos
temem que sim. O Dr. Peter Werner, meteorologista do Instituto de
Pesquisa do Impacto Climático, de Potsdam, diz: “Ao observarmos o clima
global — os extremos em precipitação atmosférica, enchentes, secas,
tempestades — e notarmos o seu desenvolvimento, podemos dizer com acerto
que esses extremos quadruplicaram nos últimos 50 anos.”
Muitos acham que os distúrbios climáticos são evidências do aquecimento global.
A
Agência de Proteção Ambiental, dos EUA, explica: “O efeito estufa é o
aumento da temperatura da Terra porque certos gases na atmosfera (vapor
de água, dióxido de carbono, óxido nitroso e metano, por exemplo)
aprisionam o calor do sol. Sem esses gases, o calor escaparia de volta
para o espaço e a temperatura média da Terra seria cerca de 33 °C mais
fria.”
Os céticos dizem que apenas uma pequena porcentagem das emissões de gás de efeito estufa é causada pelo homem. No entanto, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um grupo de pesquisas patrocinado tanto pela Organização Meteorológica Mundial como pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, informa: “Existem evidências novas e mais fortes de que a maior parte do aquecimento observado nos últimos 50 anos é atribuível às atividades humanas.”
O climatologista Pieter Tans, da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera, diz: “Se eu tivesse de fazer uma estimativa, diria que é 60% culpa nossa . . . Os restantes 40% se devem a causas naturais.”
Possíveis conseqüências do aquecimento global
Qual, então, tem sido o resultado óbvio do acúmulo de gases de efeito estufa produzido pelo homem?
A maioria dos cientistas concorda agora que a Terra de fato esquentou.
O
relatório de 2001 do IPCC diz: “As temperaturas globais de superfície
aumentaram entre 0,4 °C e 0,8 °C desde o final do século 19.” Muitos
pesquisadores acreditam que esse pequeno aumento poderia explicar as
drásticas mudanças climáticas.
É preciso uma solução global
Visto que muitos encaram esse problema como sendo criado pelo homem, não poderia o próprio homem resolvê-lo?
Várias
comunidades já criaram leis que limitam as emissões poluidoras de
carros e de fábricas. Mas tais esforços — por mais elogiáveis que sejam
— têm causado pouco ou nenhum impacto. A poluição é um problema global,
de modo que a solução teria de ser global!
Em
1992 foi realizada a Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro. Dez anos
depois, em Johanesburgo, África do Sul, realizou-se a Cúpula Mundial
sobre Desenvolvimento Sustentável. Cerca de 40.000 delegados
compareceram a essa reunião, em 2002, incluindo cerca de 100 líderes
nacionais.
Tais conferências têm contribuído muito para criar um certo consenso entre os cientistas.
O
jornal alemão Der Tagesspiegel explica: “Ao passo que a maioria dos
cientistas lá [em 1992] tinha dúvidas a respeito do efeito estufa, hoje
ele é praticamente inquestionável.” Mesmo assim, o ministro do meio
ambiente da Alemanha, Jürgen Trittin, nos lembra de que a solução real
para esse problema ainda não foi encontrada. “Johanesburgo, portanto,
não deve ser apenas uma cúpula de palavras”, frisou, “mas também uma
cúpula de ação”.
O aquecimento global é apenas um dos muitos desafios ambientais que a humanidade enfrenta. Tomar medidas efetivas é muito mais fácil de dizer do que de fazer. “Agora que finalmente reconhecemos os danos terríveis que infligimos ao nosso meio ambiente”, escreve a etologista britânica Jane Goodall, “a nossa engenhosidade se desdobra para encontrar soluções tecnológicas”. Mas ela previne: “Apenas tecnologia não basta. É preciso também engajar o nosso coração.”
Voltemos ao problema do aquecimento global. Medidas antipoluentes são caras; é comum nações mais pobres simplesmente não poderiam custeá-las. Assim, alguns especialistas temem que certas restrições ao uso de energia afugentariam indústrias para os países mais pobres, onde poderiam operar com mais lucros. De modo que até mesmo os mais bem-intencionados líderes enfrentam um dilema.
Se protegerem os interesses econômicos de seu país, o meio ambiente sofre.
Se defenderem a proteção ambiental, põe em risco a economia.
É somente razoável esperar que as pessoas respeitem o meio ambiente. Mas levá-las a fazer as mudanças necessárias no seu estilo de vida não é fácil. Para ilustrar: a maioria das pessoas concorda que os carros contribuem para o aquecimento global. Assim, a pessoa talvez queira andar menos de carro ou dispensá-lo totalmente. Mas fazer isso pode não ser fácil. Como disse recentemente Wolfgang Sachs, do Instituto do Clima, Meio Ambiente e Energia, de Wuppertal, “todos os lugares que fazem parte do cotidiano (local de trabalho, jardim-de-infância, escola ou shopping center), ficam tão longe uns dos outros que não dá para ficar sem carro. . . . Se eu quero ou não ter um carro nada tem a ver com isso. A maioria das pessoas simplesmente não tem escolha.”
Alguns cientistas, como o professor Robert Dickinson, da Escola de Ciências da Terra e Atmosféricas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, EUA, temem que já seja tarde demais para poupar a Terra das conseqüências do aquecimento global. Dickinson acredita que, mesmo se a poluição cessasse hoje, os efeitos dos abusos já cometidos contra a atmosfera durariam pelo menos mais 100 anos!
Visto que nem governos nem indivíduos podem resolver os problemas do meio ambiente, quem pode? Desde os tempos antigos, as pessoas têm recorrido aos céus em busca de ajuda para controlar o clima. Por mais ingênuos que sejam tais esforços, ainda assim revelam uma verdade básica: a humanidade precisa de ajuda divina para resolver esses problemas.
Fontes: Citadas no contexto
Pesquisa:
FPN-SP-BRASIL
segunda-feira, 25 de março de 2013
MEIO AMBIENTE
| A imagem ao lado, é de grãos de areia. A natureza, cria cada ser, cada folha, única. |
Figura
ilustrativa
Aprenda um pouco,
O meio ambiente significa tudo que o "cerca", ou seja, o ar
que respira os alimentos que consome a água que bebe e todas
as coisas a sua volta, mesmo que esteja em sua casa, cidade,
país ou em viagens interplanetárias pelo universo.
Tudo que vê ou sente, em qualquer lugar pertence ao seu meio
ambiente. (Meio) significa que esta no meio de alguma coisa.
O (Ambiente) pode ser sua sala, seu quarto, seu quintal, sua
floresta, em resumo, todo o planeta e o próprio universo.
Agora que entendeu o sentido da palavra meio ambiente, pergunte-se,
o que esta acontecendo!
Por
quê? Os rios estão secando aos milhares. Por quê? O tempo está
descontrolado. Por quê? Agora chove demais em alguns lugares. Por
quê? Agora temos tornados. Por quê? O alimento não tem mais o sabor
que antes. Por quê? As florestas estão morrendo. Por quê? Bebemos
água contaminada. Porque os
alimentos estão envenenados. Por quê? Nosso ar esta poluído. Por
quê? Os animais estão desaparecendo. Por quê? Tantas doenças. Por
quê? O crime avança. Por quê? Todos parecem não estar preocupado com
seu meio ambiente.
A
(SFB) tem todas as respostas
dos (porquês?) e soluções confirmadas pelos melhores cientistas do
mundo.
Transformamos nossas vidas em um zoo, ficamos cativos em nossas
residências, alimentando-se com veneno, bebendo água de esgoto,
respirando poluentes e presos atrás de grades, construímos
zoológicos para nós mesmos, isto é vida? Para quem nasceu preso
entre quatro paredes, pode até ser, mas não é, acredite.
Tínhamos um mundo belo natural e livre e o transformamos em uma
sociedade perigosa, podre, corrupta e predatória que pode nos levar a
extinção. Até o momento nada de significativo ou concreto foi
feito, apenas promessas ao vento dos "governos" mundiais.
As
mudanças climáticas existem a milhares de anos, tudo começou com o
desmatamento indiscriminado, guerras e o aumento excessivo da
demografia humana, só agora a ciência comprovou os eventos
catastróficos do clima.
Para ter uma ideia, os dinossauros só foram extintos devido a um
ocorrido extremo e externo do planeta, dominaram a terra por mais
150 milhões de anos. Os humanos estão aqui apenas uns poucos
milhares de anos, já em fase de extinção. Tudo por arrogância,
ganância, dominação e por falta de inteligência dos governantes.
Preservar as florestas significa: proteger a água, manter o clima
perfeito e o ar puro. Em poucos anos nossas florestas em pé valerá
centenas de trilhões de dólares, toda a Europa se arrepende de
transformar sua floresta em concreto armado.
O
governo atual, só no ano de 2010 deu um prejuízo de (2.2 trilhões de
reais) ao meio ambiente, mente descarado através de mídias
"laranja". Enganam a população fingindo que cuidam das nossas
florestas. Muito pelo contrário, em todo o Brasil as matas
atlânticas estão sendo trocadas por cana-de-açúcar e soja, e mais,
(2) milhões de animais são mortos ou contrabandeados pelo mundo todos os anos,
a ciência não vence em editar animais extintos.
Sem as florestas, ficaremos com nossa
umidade do ar
comprometida, teremos tornados mais violentos,
chuvas destrutivas que arrasarão cidades e
toda nossa agricultura.
A (SFB)
fará tudo para proteger sua vida e a vida destes "tolos"
oportunistas que acham que levam vantagens saqueando tudo que o
planeta possui de bom.
Nossas árvores não evoluíram com raízes profundas para suportar tornados e
furacões, sucumbirão aos milhões transformando nosso Brasil em
cerrado.
Se
possuir um pouco de esperança e fé, nos apoie. Esta luta é de todos
nós. O novo sistema de governo sabe o que precisa ser feito, fará
tudo para viver e deixar viver depende só de você, não demore a
tomar uma atitude séria,
falta muito pouco para ser irreversível.
FONTE:
SBF. Sociedade Federativa brasileira
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
TRATAMENTO DA ÁGUA
Filtro de Carvão Ativado
O filtro pode ser capaz de remover resquícios de agrotóxicos presentes na água, cujo tratamento não conseguiu remover.
O Filtro de
Carvão Ativado é um equipamento que tem por finalidade primordial a
remoção de cloro livre e de matéria orgânica, agentes estes que causam
gosto e cor na água filtrada e podem eventualmente oxidar as resinas de
troca iônica utilizadas em tratamento de água para geradores de vapor,
hospitais, indústrias farmacêuticas.
O filtro é constituído por um vaso
metálico à pressão com uma camada de carvão ativado, disposto
internamente sobre um fundo falso provido de coletores plásticos ou em
inox. Na parte externa, a operação de filtragem ou lavagem, é feita
através de manobra de válvulas, que podem ter acionamento manual ou
pneumático.
O funcionamento do filtro é bastante
simples, ou seja em regime normal a água entra pela parte superior do
aparelho, atravessa o leito de carvão ativo e flui pelo bocal inferior. A
lavagem é feita normalmente a cada dois dias, passando-se água filtrada
em contra corrente (de baixo p/ cima).
O filtro pode ser capaz de remover resquícios de agrotóxicos presentes na água, cujo tratamento não conseguiu remover.
Parte deste conteúdo foi baseado no livro "Como cuidar do seu meio ambiente".
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Acidente radioativo com césio 137 completa 25 anos
Depois do acidente com o Césio 137 em Goiânia, foi criado um sistema para denunciar riscos radioativos.
O
acidente radioativo mais grave do país de que se conhecimento, o
vazamento do material radioativo césio 137, em Goiânia, completa 25 anos
nesta quinta-feira. No dia 13 de setembro de 1987, dois catadores de
materiais recicláveis encontraram em instalações do antigo Instituto
Goiano de Radioterapia uma máquina que desconheciam ser um aparelho
usado para esse tipo de tratamento.
Eles levaram o material para casa e, após retirar algumas partes,
venderam o que restou a um ferro velho, de propriedade de Devair
Ferreira. Este, também sem saber do que se tratava, desmontou a máquina
para reaproveitar o chumbo e expôs, assim, ao ambiente 19,26 gramas de
cloreto de césio 137. O pó branco que emitia uma luz azulada no escuro
foi exibido durante quatro dias para toda a vizinhança. Algumas pessoas,
inclusive, levaram amostras do césio para casa. Como parte do
equipamento acabou sendo vendida para outro ferro velho, o material
radioativo acabou se espalhando por uma área ainda maior.
Não demorou muito para que as pessoas começassem a apresentar os
primeiros sinais de que carregavam no corpo altos níveis de radiação –
diarreia, naúseas, tonturas e vômito. Elas procuraram os hospitais da
cidade, onde foram medicadas como portadores de doença contagiosa.
Somente depois de 16 dias, quando parte da máquina de radioterapia foi
levada à Vigilância Sanitária, constatou-se que os sintomas eram de
contaminação radioativa.
O acidente resultou em milhares de toneladas de lixo radioativo que se encontram em contêineres e tambores revestidos de aço e concreto, em um depósito, na cidade de Abadia de Goiás (GO). As primeiras vítimas fatais da contaminação pelo césio foram a esposa do dono do ferro velho, Maria Gabriela, que morreu no dia 23 de outubro de 1987, e sua sobrinha, a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que ingeriu pequenas quantidades de césio depois de brincar com o pó azul. A menina foi a vítima que apresentou a maior dose de radiação. Ela morreu horas depois da tia.
Quarenta e nove pacientes vítimas da radiação do césio 137 foram levadas para o Rio de Janeiro, onde foram tratados no Hospital Naval Marcílio Dias, referência no tratamento de vítimas de acidentes radioativos. Vinte e um desses pacientes passaram por tratamento intensivo e quatro morreram. No total, mais de 112 mil pessoas foram expostas aos efeitos do césio, em Goiânia.
O diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Ivan Salati, avalia que, desde 1987, houve muitos avanços em relação à segurança da manipulação de fontes radioativas, em termos de regulação e controle. Para ele, a situação em Goiânia foi específica. O diretor da Cnen atribuiu grande parte do acidente aos responsáveis pelas instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia, que “não exerceram a responsabilidade sobre os materiais ali existentes de maneira adequada”.
Em 1988, a Cnen realizou uma operação pente fino em todo o país, para levantar, nos hospitais e institutos de pesquisa, fontes que tinham chegado antes desse período e que não estavam mais sendo utilizadas ou que precisavam ser registradas. Foi criado também um sistema de atendimento 24 horas para denúncias e manifestações. Esse serviço aciona equipes preparadas para investigar possíveis riscos radioativos em qualquer lugar do Brasil.
Salati reiterou que, no caso de Goiânia, contribuiu para a contaminação pelo césio o tempo demorado para se detectar o acidente, embora admita que um serviço 24 horas não mudaria muito a ação diante do caso, devido ao desconhecimento das pessoas que lidaram com o material à época e que, por essa razão, “dificilmente teriam buscado informações com a Cnen”.
O alarme sobre o acidente radiológico de Goiânia foi dado pelo físico Walter Mendes, no dia 29 de setembro de 1987. A partir daí, a Cnen enviou uma equipe a Goiânia para tomar as providências necessárias.
Fonte: Agência Brasil
O acidente resultou em milhares de toneladas de lixo radioativo que se encontram em contêineres e tambores revestidos de aço e concreto, em um depósito, na cidade de Abadia de Goiás (GO). As primeiras vítimas fatais da contaminação pelo césio foram a esposa do dono do ferro velho, Maria Gabriela, que morreu no dia 23 de outubro de 1987, e sua sobrinha, a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que ingeriu pequenas quantidades de césio depois de brincar com o pó azul. A menina foi a vítima que apresentou a maior dose de radiação. Ela morreu horas depois da tia.
Quarenta e nove pacientes vítimas da radiação do césio 137 foram levadas para o Rio de Janeiro, onde foram tratados no Hospital Naval Marcílio Dias, referência no tratamento de vítimas de acidentes radioativos. Vinte e um desses pacientes passaram por tratamento intensivo e quatro morreram. No total, mais de 112 mil pessoas foram expostas aos efeitos do césio, em Goiânia.
O diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Ivan Salati, avalia que, desde 1987, houve muitos avanços em relação à segurança da manipulação de fontes radioativas, em termos de regulação e controle. Para ele, a situação em Goiânia foi específica. O diretor da Cnen atribuiu grande parte do acidente aos responsáveis pelas instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia, que “não exerceram a responsabilidade sobre os materiais ali existentes de maneira adequada”.
Em 1988, a Cnen realizou uma operação pente fino em todo o país, para levantar, nos hospitais e institutos de pesquisa, fontes que tinham chegado antes desse período e que não estavam mais sendo utilizadas ou que precisavam ser registradas. Foi criado também um sistema de atendimento 24 horas para denúncias e manifestações. Esse serviço aciona equipes preparadas para investigar possíveis riscos radioativos em qualquer lugar do Brasil.
Salati reiterou que, no caso de Goiânia, contribuiu para a contaminação pelo césio o tempo demorado para se detectar o acidente, embora admita que um serviço 24 horas não mudaria muito a ação diante do caso, devido ao desconhecimento das pessoas que lidaram com o material à época e que, por essa razão, “dificilmente teriam buscado informações com a Cnen”.
O alarme sobre o acidente radiológico de Goiânia foi dado pelo físico Walter Mendes, no dia 29 de setembro de 1987. A partir daí, a Cnen enviou uma equipe a Goiânia para tomar as providências necessárias.
Fonte: Agência Brasil
domingo, 8 de julho de 2012
Ao longo da próxima década e meia, estima-se que a produção global de químicos aumentará 85%. Muitos compostos novos trarão importantes benefícios em diversas áreas da vida, incluindo agricultura, indústria e cuidados com a saúde.
Felizmente, os BPC, junto com outras 11 substâncias conhecidas como a Dúzia Suja, estão controlados através da Convenção de Estocolmo sobre os Contaminantes Orgânicos Persistentes (COP), que entrou mundialmente em vigor no dia 17 de Maio. Através deste novo tratado internacional, os governos do Planeta outorgam seu apoio político e financeiro para a redução e eliminação de nove inseticidas, dois produtos secundários de incineração e do BCP. Um dos inseticidas, o DDT, obteve isenção da proibição devido à sua importância na luta contra o mosquito transmissor da malária. Por outro lado, parte dos US$ 500 milhões, destinados à eliminação da Dúzia Suja, será usada na busca de alternativas mais seguras na luta contra essa enfermidade, incluindo melhores inseticidas bem com tratamentos e vacinas. As futuras gerações podem esperar um mundo onde esses químicos e inseticidas sejam, pelo menos, notas de rodapé em um livro de história.
E o que acontece com as outras mais de 69 mil substâncias existentes e as milhares que estão por surgir? Como garantir que estas sejam seguras e sustentáveis e produzidas e manejadas de maneira responsável? Estas são perguntas cruciais, já que muito da produção de químicos está se mudando cada vez mais para os países em desenvolvimento.
Agora temos a Convenção de Estocolmo e é provável que durante os próximos anos mais contaminantes orgânicos persistentes se unam à lista proibida. Também acaba de entrar em vigor a Convenção de Roterdã sobre Consentimento Informado Prévio, que controla uma lista de químicos e inseticidas perigosos e requer que os exportadores tenham a aprovação do país importador antes que o embarque seja autorizado. Um desenvolvimento mais significativo, porém, ainda está por vir. Trata-se do Enfoque Estratégico para a Gestão Internacional de Produtos Químicos (SAICM). Em 2006, quando o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) realizar a Sessão Especial de seu Conselho de Administração, as bases deste novo enfoque radical sobre os químicos deverão estar prontas. Os governos deverão ter, por essa época, o programa detalhado de ação para conseguir a meta de reduzir, até 2020, os efeitos adversos dos químicos na saúde humana e no meio ambiente, acordada em 2002, durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em Johanesburgo. Algumas metas do SAICM são o estabelecimento de um método de etiquetagem clara e universalmente aceito, homologação de avaliações de risco de químicos, sobretudo em relação ao câncer e à saúde reprodutiva, intercâmbio de informação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, e planos nacionais para o depósito seguro para químicos obsoletos.
Também se prevê programas de prevenção e manejo de acidentes industriais, a criação de uma rede internacional de centros de tratamento de envenenamento e medidas globais enérgicas contra o contrabando e o intercâmbio de químicos e inseticidas ilegais ou controlados. Este novo enfoque “guarda-chuva” requererá vontade política e uma substanciosa quantidade de dinheiro, ainda não calculada. O que é claro é que os benefícios deste novo enfoque terão potencialmente maiores impactos. A luta global pelo controle de químicos está vinculada ao desenvolvimento sustentável e à redução da pobreza. Maximizar os benefícios e reduzir os impactos ambientais e de saúde dos químicos não só nos ajudará a cumprir as metas na provisão de água potável segura para milhões de pessoas, como também para deter a perda alarmante de vida selvagem na terra, nos rios, mares e oceanos do mundo.
sábado, 7 de julho de 2012
Óleos Lubrificantes
A poluição gerada pelo descarte de 1 t/dia de óleo usado para o solo ou cursos d'água equivale ao esgoto doméstico de 40 mil habitantes.
Entre 1991 - 1993, a ONU financiou
estudos sobre a disposição de óleos usados. A principal conclusão desses
estudos foi que a solução para uma disposição segura de óleos
lubrificantes usados é o re-refino (reciclagem).
Os óleos lubrificantes estão entre os poucos derivados de petróleo que não são totalmente consumidos durante o seu uso. Fabricantes de aditivos e formuladores de óleos lubrificantes vêm trabalhando no desenvolvimento de produtos com maior vida útil, o que tende a reduzir a geração de óleos usados. No entanto, com o aumento da aditivação e da vida útil do óleo, crescem as dificuldades no processo de regeneração após o uso.
Quando os óleos lubrificantes industriais usados estão contaminados, fora da faixa de viscosidade ou com outros pequenos problemas, o certo é enviá-los para um serviço de reaproveitamento do óleo básico e de todos os seus subprodutos.
Os óleos usados de base mineral não são biodegradáveis e podem ocasionar sérios problemas ambientais quando não adequadamente dispostos. O uso de produtos lubrificantes de origem vegetal biodegradáveis ainda se encontra em estágio pouco avançado de desenvolvimento para a maior parte das aplicações.
A poluição gerada pelo descarte de 1 t/dia de óleo usado para o solo ou cursos d'água equivale ao esgoto doméstico de 40 mil habitantes. A queima indiscriminada do óleo lubrificante usado, sem tratamento prévio de desmetalização, gera emissões significativas de óxidos metálicos, além de outros gases tóxicos, como a dioxina e óxidos de enxofre.
Os óleos lubrificantes estão entre os poucos derivados de petróleo que não são totalmente consumidos durante o seu uso. Fabricantes de aditivos e formuladores de óleos lubrificantes vêm trabalhando no desenvolvimento de produtos com maior vida útil, o que tende a reduzir a geração de óleos usados. No entanto, com o aumento da aditivação e da vida útil do óleo, crescem as dificuldades no processo de regeneração após o uso.
Quando os óleos lubrificantes industriais usados estão contaminados, fora da faixa de viscosidade ou com outros pequenos problemas, o certo é enviá-los para um serviço de reaproveitamento do óleo básico e de todos os seus subprodutos.
Os óleos usados de base mineral não são biodegradáveis e podem ocasionar sérios problemas ambientais quando não adequadamente dispostos. O uso de produtos lubrificantes de origem vegetal biodegradáveis ainda se encontra em estágio pouco avançado de desenvolvimento para a maior parte das aplicações.
A poluição gerada pelo descarte de 1 t/dia de óleo usado para o solo ou cursos d'água equivale ao esgoto doméstico de 40 mil habitantes. A queima indiscriminada do óleo lubrificante usado, sem tratamento prévio de desmetalização, gera emissões significativas de óxidos metálicos, além de outros gases tóxicos, como a dioxina e óxidos de enxofre.
Revista Meio Ambiente Industrial, Ano VI, ed. 31, no 30 Maio/Junho da 2001. www.meioambienteindustrial.com.br
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Amianto: proibição, uso controlado ou imobilização?
O amianto ou asbesto é uma fibra mineral natural que pertence ao grupo dos silicatos cristalinos hidratados.
Os cientistas acreditam que o amianto
foi formado na Pré-História, numa fase secundária da formação da crosta
terrestre. Nesse período, rochas de silício (como a peridotita, composta
por magnésio, sílica e ferro) foram alteradas fisicamente e pela
pressão, pelo calor e pela água que lentamente infiltrava na superfície.
Associada ao magnésio e à sílica, a água transformou a rocha hospedeira
no que se chama de serpentina mineral. Este cristalizou-se nas fendas
da rocha-mãe, formando veios de fibras paralelas, com 1 a 40 mm de
comprimento. As variedades de amianto desses dois grupos apresentam
composições químicas, características físicas e propriedades
semelhantes, embora também distintas tanto nas aplicações como nos
riscos à saúde.
As serpentinas, como se observa no esquema, têm como principal variedade a crisotila (que, em grego, significa "fibra de ouro"). Também conhecida como amianto branco, essa variedade corresponde à cerca de 98,5% de todo amianto consumido no mundo. Suas fibras são curvas e sedosas. Os anfibólios são fibras duras, retas e pontiagudas. Agrupa-se em cinco variedades principais: amosita (amianto marrom), crocidolita (amianto azul), antofilita, tremolita e actinolita. Do ponto de vista econômico, os dois primeiros são os mais importantes. Muito utilizados até os anos 70, atualmente estão em desuso, por causa de seus efeitos sobre a saúde. Hoje, o amianto marrom e o amianto azul representam menos de 2% do consumo mundial, têm sua produção localizada na África do Sul e seu uso está praticamente em extinção.
As serpentinas, como se observa no esquema, têm como principal variedade a crisotila (que, em grego, significa "fibra de ouro"). Também conhecida como amianto branco, essa variedade corresponde à cerca de 98,5% de todo amianto consumido no mundo. Suas fibras são curvas e sedosas. Os anfibólios são fibras duras, retas e pontiagudas. Agrupa-se em cinco variedades principais: amosita (amianto marrom), crocidolita (amianto azul), antofilita, tremolita e actinolita. Do ponto de vista econômico, os dois primeiros são os mais importantes. Muito utilizados até os anos 70, atualmente estão em desuso, por causa de seus efeitos sobre a saúde. Hoje, o amianto marrom e o amianto azul representam menos de 2% do consumo mundial, têm sua produção localizada na África do Sul e seu uso está praticamente em extinção.
Além de ser um material relativamente barato e de fácil extração, a estrutura fibrosa do amianto confere a ele propriedades físicas e químicas especiais, que o torna virtualmente indestrutível. Caracteriza-se por possuir propriedades que se destacam quando comparadas com outros materiais: alta resistência mecânica (comparada ao aço); elevada superfície específica, a qual indica o grau da abertura do material; incombustibilidade; baixa condutividade térmica; resistência a produtos químicos, particularmente estável em diferentes valores de pH; capacidade de filtrar microorganismos e outras substâncias nocivas; boa capacidade de filtragem; boa capacidade de isolação elétrica e acústica; elevada resistência dielétrica; durabilidade, resistindo ao desgaste e ABrasão; flexibilidade; afinidade com cimentos, resinas e isolantes plásticos; parede externa de caráter básico e compatível com a água e facilidade para ser tecido ou fiado.
Por conta destas propriedades as fibras de amianto crisotila são empregadas no Brasil e no mundo, em milhares de produtos industriais, sendo, cerca de 85% do seu uso na indústria de cimento-amianto ou fibrocimento (folhas e caixas d'água), 10% em materiais de fricção (autopeças) e 5% em outras atividades, sendo têxteis 3%, químicas/plásticas 2%.
O amianto foi, também, amplamente utilizado nas décadas de 40 e 50, na América do Norte, na Europa, na Austrália e no Japão, como isolante térmico e elemento de proteção contra o fogo. Essa aplicação era feita por jateamento (spray) de fibras e pó de amianto principalmente em construções metálicas, em caldeiras, geradores, vagões e cabinas de navios e trens, visando proteger passageiros e instalações dos efeitos de um eventual incêndio. Nessa aplicação, os trabalhadores eram expostos a quantidades excessiva de fibras em suspensão no ar. Por esse motivo, no início dos anos 70 o jateamento foi sendo progressivamente proibido em muitos países e praticamente já não existe no mundo inteiro.
O uso comercial desenfreado do produto no último século, levou a sua distribuição descontrolada pelo do mundo industrializado e a sua dispersão no ambiente. Com isso, alguns países da Europa proibiram sua utilização, bem como os produtos que o contenham, devido às doenças ocupacionais relacionadas à inalação de fibras de amianto. Asbestose, câncer de pulmão, mesotelioma e afecções benignas da pleura são as doenças, no aparelho respiratório, associadas à exposição às fibras de amianto.
Câncer de pulmão é semelhante ao câncer
causado pelo fumo, de longe o principal motivo da doença. Do início da
exposição às fibras de amianto até o aparecimento do câncer, passam-se
em média 20 anos. Estudos indicam que o risco deste câncer é maior nos
fumantes, ou seja, o fumo e as fibras o potencializam. Mesotelioma é uma
forma muito rara de tumor maligno que se desenvolve no mesotélio, a
membrana que envolve o pulmão (pleura), o abdômen e seus órgãos
(peritônio). O período médio de aparecimento da doença, desde o início
da exposição, é de 30 a 40 anos.
Afecções benignas da pleura: além das
doenças descritas a exposição às fibras de amianto pode causar algumas
alterações de pleura, como áreas de espessamento, derrames ou placas
pleurais. São consideradas benignas porque raramente provocam alguma
deficiência pulmonar, sendo interpretada apenas como um sinal de
exposição ao amianto. Não há relação com disfunções ou doenças
pulmonares, como asbestose e o câncer.
Estudos médicos mostram que as fibras de
amianto não provocam alteração em órgãos como os rins, os aparelhos
digestivos e a pele. Só o pulmão pode ser afetado devido à inalação das
fibras de amianto, mesmo assim, sob determinadas condições. São
sugeridos três fatores que determinam a periculosidade das fibras:
dimensões, durabilidade e dosagem. A dimensão é um fator importante pois
determina se a fibra será transportada pelo ar e, portanto, respirável;
fibras maiores do que 3 mm de diâmetro e 50-100 mm de comprimento não
são capazes de penetrar nos pulmões. Das fibras que se alojam nos
pulmões, as mais curtas do que 3 mm podem ser removidas por meio de
mecanismos de defesa do organismo, de modo que as concentrações não se
tornem muito altas ou a dosagem muito prolongada; as fibras mais
perigosas, mesmo que em pequenas dosagens são as quimicamente duráveis,
de 5-10 mm de comprimento e 0-1 mm de diâmetro.
Feixes de fibras que são capazes de se separar em diâmetros de 0-1 mm sem diminuição no comprimento, são particularmente perigosas, pertencendo a crisotila à categoria dos mais nocivos pois cada fibra desta variedade se separa num diâmetro médio de 0,25 mm. Além disso, há demonstrações de que um dos fatores responsáveis pela atividade biológica das fibras de asbesto crisotila está relacionado com a sua estrutura química, particularmente em relação à reatividade superficial do mineral.
O amianto no Brasil Até o final dos anos 30, o Brasil importava todo o amianto que consumia. No início da década de 40, começaram a ser pesquisadas no país pequenas jazidas, como a de Pontalina, no sul de Goiás. Porém essa produção ainda era insuficiente para as necessidades do mercado. Esse quadro começou a mudar em 1939, com a fundação da S.A. Mineração de Amianto - SAMA, que no ano seguinte implantou no município de Poções, na Bahia, a mina de São Félix. Essa unidade chegou a ter trezentos funcionários, mas foi desativada em 1967 por esgotamento de suas reservas. Nesse período, houve exploração de outras minas - entre as quais a de São João do Piauí e a da região de Batalha, em Alagoas.
Feixes de fibras que são capazes de se separar em diâmetros de 0-1 mm sem diminuição no comprimento, são particularmente perigosas, pertencendo a crisotila à categoria dos mais nocivos pois cada fibra desta variedade se separa num diâmetro médio de 0,25 mm. Além disso, há demonstrações de que um dos fatores responsáveis pela atividade biológica das fibras de asbesto crisotila está relacionado com a sua estrutura química, particularmente em relação à reatividade superficial do mineral.
O amianto no Brasil Até o final dos anos 30, o Brasil importava todo o amianto que consumia. No início da década de 40, começaram a ser pesquisadas no país pequenas jazidas, como a de Pontalina, no sul de Goiás. Porém essa produção ainda era insuficiente para as necessidades do mercado. Esse quadro começou a mudar em 1939, com a fundação da S.A. Mineração de Amianto - SAMA, que no ano seguinte implantou no município de Poções, na Bahia, a mina de São Félix. Essa unidade chegou a ter trezentos funcionários, mas foi desativada em 1967 por esgotamento de suas reservas. Nesse período, houve exploração de outras minas - entre as quais a de São João do Piauí e a da região de Batalha, em Alagoas.
A jazida que deu ao Brasil a
auto-suficiência no setor de cobertura foi a mina de Cana Brava, em
1962. Ela está localizada em Minaçu (GO), cuja reserva estimada é
suficiente para o suprimento do mercado interno por cerca de cinqüenta
anos. Segundo a SAMA, a mina de Cana Brava produz fibras de amianto com
alta pureza (sem contaminação) e com dimensões que a qualificam
especialmente para a indústria do cimento-amianto, características
dificilmente são encontradas em outras regiões produtoras. Assim, a mina
de Cana Brava é a única em operação no país, sendo explorada a céu
aberto. Sua produção inicial, em 1967, era de 400 toneladas anuais. Em
1971, atingiu 17 mil toneladas, subindo para 140 mil em 1979, até
alcançar sua média atual de 200 mil toneladas por ano. Desde 1980, a
mina atende à totalidade do consumo nacional, evitando os gastos de
importação, que superam os US$ 100 milhões anuais, e ainda exporta de 30
a 40% de sua produção para dezenas de países, encabeçados por Japão,
Tailândia, Índia e para o Mercosul, trazendo ao país divisas superiores a
US$ 30 milhões anuais.
Além disso, trouxe grande desenvolvimento econômico e social à região, desde o início das atividades de extração e mineração das fibras de amianto crisotila. Ao redor da mina de Cana Brava, tornou-se um próspero município, Minaçu, com cerca de 60 mil habitantes, beneficiados de várias formas por sua atividade.
O governador
de Goiás, Marconi Perillo, preocupado com o impacto sócio-econômico da
região com o banimento do amianto crisotila, em artigo de
esclarecimento, publicado no jornal Folha de São Paulo (19/03/2001),
saiu em favor à exploração do amianto por se preocupar com as milhares
de famílias que, de alguma forma, tiram seu sustento do minério. Segundo
ele, a proibição da crisotila advém de interesses econômicos
internacionais, pela disputa de mercado, em substituir o mineral por
fibras alternativas. Ainda nesse artigo, Perillo diz que a espécie de
amianto explorada no Brasil não traz conseqüências maléficas à saúde
humana, como a espécie explorada na Europa (anfibólio), visto que
instituições sérias de pesquisa comprovaram o fato, e que a história da
nocividade se baseia em estudos realizados no exterior, fornecidos pelo
lobby que luta pelo banimento.
Está claro que há um jogo de interesse envolvido. De um lado está o perigo causado pela inalação das fibras de amianto, que pode condenar os trabalhadores à morte, de outro está a preocupação do governo de Goiás com a situação de desemprego, em Minaçu, que o banimanto acarretaria, e ainda há a questão do interesse econômico em substituir as fibras por outras alternativas, na briga pelo mercado.
O amianto é um material quase único no seu conjunto de propriedades. Em geral, para substituí-lo são necessárias várias outras substâncias, o que, ainda assim, raramente tem significado vantagem na comparação com o amianto. Alguns dos produtos alternativos já desenvolvidos foram inviabilizados por apresentarem custo muito superior, além de exigir investimentos em equipamentos e tecnologia. Há também a dificuldade técnica do desempenho do substituto, especialmente em aplicações como freios de veículos pesados (caminhões e trens) e sistemas de vedação e isolamento na indústria aeroespacial. Até hoje, nesses usos, nenhum outro produto ofereceu a eficiência e a segurança do amianto. E há ainda a questão do risco à saúde: as novas fibras devem ser mais seguras. No entanto, as pesquisas médicas indicam que os efeitos do amianto sobre a saúde são comuns à maioria das fibras, ou seja, em dimensões e doses suficientes, as fibras alternativas com durabilidade e persistência no tecido pulmonar podem ter efeitos nocivos semelhantes, por vários anos. É preciso ponderar: enquanto o amianto tem sido estudado exaustivamente há mais de cinqüenta anos, conhecendo-se bem os limites de seus efeitos sobre os trabalhadores expostos em várias condições, as demais fibras são de uso mais recente (10 a 20 anos), e será necessário um período mais longo para que sua ação, a longo prazo, seja conhecida.
Considerando esses aspectos, a Organização Mundial de Saúde publicou o Critério de Saúde ambiental 151, no qual recomenda: "Todas as fibras respiráveis biopersistentes devem ser testadas quanto à toxicidade e à carcinogênese. Exposições a essas fibras devem ser controladas da mesma maneira que para o amianto". Ou seja, todas as fibras respiráveis devem estar dentro do limite de tolerância, em que não há risco à saúde do trabalhador. Em virtude disto, houve uma preocupação muito grande para retirar a propriedade fibrosa da superfície do amianto. Três métodos de impermeabilização de amianto foram desenvolvidos: i) vitrificação in situ por efeito Joule; ii) fusão das fibras de amianto utilizando-se plasma (processo INERTAM); iii) destruição das fibras em matriz vítrea de fosfato.
O método de vitrificação in situ baseia-se no princípio de que os vidros fundidos conduzem eletricidade. Como o solo é bastante rico em silício (solo arenoso e/ou argiloso) o seu aquecimento em temperaturas elevadas (1400 - 1800°C) resulta na formação de uma massa fundida [passagem do estado sólido para o estado líquido, por exemplo como na transformação do gelo (água no estado sólido) para água no estado líquido]. Nesta condição este material líquido conduz corrente elétrica. O aquecimento do amianto, em alta temperatura, resulta na formação de um vidro. Esta técnica depende das propriedades do solo, da morfologia e da condutividade. Depende do tamanho de grão, do contato entre eles, da presença de íons de metais alcalinos e alcalinos terrosos, depende da quantidade de oxigênio nestes íons, da mobilidade dos íons, da viscosidade do material fundido e presença de água.
O processo INERTAM consiste no tratamento do amianto a ser vitrificado sobre o efeito de plasma quente até o ponto que permite a obtenção de uma massa vítrea inerte, não se comportando como fibras de amianto. Este método é muito caro e implica no transporte do amianto, em sacas, até o local para tratamento. O método que envolve a destruição de amianto em matrizes fosfatos baseia-se no tratamento das fibras de amianto pelo uso de uma substância coloidal, chamada coacervato. Esta substância, parecida com um gel, é formada a partir de um polímero inorgânico de fosfato, um sal de cálcio e água, os quais não apresentam quaisquer riscos à saúde e que se encontram em pequenas quantidades na própria água que bebemos e no creme dental que utilizamos. Este método foi desenvolvido pelo prof. Vast da Universidade de Lille, França. A vantagem deste método na destruição das fibras de amianto se deve ao fato de que o coacervato é capaz de molhar e de envolver as fibras, tornando-as facilmente manipuláveis. Ainda, o coacervato atua como agente fundente, ou seja, reduz a temperatura de fusão destas fibras minerais, permitindo assim a sua destruição em temperaturas inferiores a 1000°C.
Os pesquisadores Marco Antonio Utrera Martines e Véronique Andriès (Pós-Doutorandos), Daniela Grando (Mestrando) e os professores doutores Younes Messaddeq e Sidney José Lima Ribeiro, do grupo de Materiais Fotônicos do Instituto de Química da Unesp - Araraquara, pesquisam a imobilização de fibras de amianto crisotila, a partir de solução de polifosfato de sódio e de coacervatos de cálcio, de magnésio e de zinco. Outro trabalho desenvolvido pelo grupo é a destruição das fibras de amianto em pisos cerâmicos utilizando-se coacervatos de cálcio. Os resultados obtidos a partir desta proposição sugerem que se possam obter diversos materiais potencialmente interessantes, através de tratamentos térmicos adequados. Pode-se obter, por exemplo, materiais cerâmicos com elevada estabilidade mecânica e térmica a semelhança dos chamados cimento-amianto, assim como materiais compósitos coacervato-amianto com propriedades térmicas interessantes. Outro aspecto importante deste projeto de pesquisa é a destruição das fibras de amianto pela formação de vidros quando aquecido a temperatura acima de 800°C.
Este projeto de pesquisa, no valor de R$ 40.000,00, é financiado pela Fapesp. Os pesquisadores Marco Utrera Martines e Daniela Grando também são bolsistas da Fapesp.
Está claro que há um jogo de interesse envolvido. De um lado está o perigo causado pela inalação das fibras de amianto, que pode condenar os trabalhadores à morte, de outro está a preocupação do governo de Goiás com a situação de desemprego, em Minaçu, que o banimanto acarretaria, e ainda há a questão do interesse econômico em substituir as fibras por outras alternativas, na briga pelo mercado.
O amianto é um material quase único no seu conjunto de propriedades. Em geral, para substituí-lo são necessárias várias outras substâncias, o que, ainda assim, raramente tem significado vantagem na comparação com o amianto. Alguns dos produtos alternativos já desenvolvidos foram inviabilizados por apresentarem custo muito superior, além de exigir investimentos em equipamentos e tecnologia. Há também a dificuldade técnica do desempenho do substituto, especialmente em aplicações como freios de veículos pesados (caminhões e trens) e sistemas de vedação e isolamento na indústria aeroespacial. Até hoje, nesses usos, nenhum outro produto ofereceu a eficiência e a segurança do amianto. E há ainda a questão do risco à saúde: as novas fibras devem ser mais seguras. No entanto, as pesquisas médicas indicam que os efeitos do amianto sobre a saúde são comuns à maioria das fibras, ou seja, em dimensões e doses suficientes, as fibras alternativas com durabilidade e persistência no tecido pulmonar podem ter efeitos nocivos semelhantes, por vários anos. É preciso ponderar: enquanto o amianto tem sido estudado exaustivamente há mais de cinqüenta anos, conhecendo-se bem os limites de seus efeitos sobre os trabalhadores expostos em várias condições, as demais fibras são de uso mais recente (10 a 20 anos), e será necessário um período mais longo para que sua ação, a longo prazo, seja conhecida.
Considerando esses aspectos, a Organização Mundial de Saúde publicou o Critério de Saúde ambiental 151, no qual recomenda: "Todas as fibras respiráveis biopersistentes devem ser testadas quanto à toxicidade e à carcinogênese. Exposições a essas fibras devem ser controladas da mesma maneira que para o amianto". Ou seja, todas as fibras respiráveis devem estar dentro do limite de tolerância, em que não há risco à saúde do trabalhador. Em virtude disto, houve uma preocupação muito grande para retirar a propriedade fibrosa da superfície do amianto. Três métodos de impermeabilização de amianto foram desenvolvidos: i) vitrificação in situ por efeito Joule; ii) fusão das fibras de amianto utilizando-se plasma (processo INERTAM); iii) destruição das fibras em matriz vítrea de fosfato.
O método de vitrificação in situ baseia-se no princípio de que os vidros fundidos conduzem eletricidade. Como o solo é bastante rico em silício (solo arenoso e/ou argiloso) o seu aquecimento em temperaturas elevadas (1400 - 1800°C) resulta na formação de uma massa fundida [passagem do estado sólido para o estado líquido, por exemplo como na transformação do gelo (água no estado sólido) para água no estado líquido]. Nesta condição este material líquido conduz corrente elétrica. O aquecimento do amianto, em alta temperatura, resulta na formação de um vidro. Esta técnica depende das propriedades do solo, da morfologia e da condutividade. Depende do tamanho de grão, do contato entre eles, da presença de íons de metais alcalinos e alcalinos terrosos, depende da quantidade de oxigênio nestes íons, da mobilidade dos íons, da viscosidade do material fundido e presença de água.
O processo INERTAM consiste no tratamento do amianto a ser vitrificado sobre o efeito de plasma quente até o ponto que permite a obtenção de uma massa vítrea inerte, não se comportando como fibras de amianto. Este método é muito caro e implica no transporte do amianto, em sacas, até o local para tratamento. O método que envolve a destruição de amianto em matrizes fosfatos baseia-se no tratamento das fibras de amianto pelo uso de uma substância coloidal, chamada coacervato. Esta substância, parecida com um gel, é formada a partir de um polímero inorgânico de fosfato, um sal de cálcio e água, os quais não apresentam quaisquer riscos à saúde e que se encontram em pequenas quantidades na própria água que bebemos e no creme dental que utilizamos. Este método foi desenvolvido pelo prof. Vast da Universidade de Lille, França. A vantagem deste método na destruição das fibras de amianto se deve ao fato de que o coacervato é capaz de molhar e de envolver as fibras, tornando-as facilmente manipuláveis. Ainda, o coacervato atua como agente fundente, ou seja, reduz a temperatura de fusão destas fibras minerais, permitindo assim a sua destruição em temperaturas inferiores a 1000°C.
Os pesquisadores Marco Antonio Utrera Martines e Véronique Andriès (Pós-Doutorandos), Daniela Grando (Mestrando) e os professores doutores Younes Messaddeq e Sidney José Lima Ribeiro, do grupo de Materiais Fotônicos do Instituto de Química da Unesp - Araraquara, pesquisam a imobilização de fibras de amianto crisotila, a partir de solução de polifosfato de sódio e de coacervatos de cálcio, de magnésio e de zinco. Outro trabalho desenvolvido pelo grupo é a destruição das fibras de amianto em pisos cerâmicos utilizando-se coacervatos de cálcio. Os resultados obtidos a partir desta proposição sugerem que se possam obter diversos materiais potencialmente interessantes, através de tratamentos térmicos adequados. Pode-se obter, por exemplo, materiais cerâmicos com elevada estabilidade mecânica e térmica a semelhança dos chamados cimento-amianto, assim como materiais compósitos coacervato-amianto com propriedades térmicas interessantes. Outro aspecto importante deste projeto de pesquisa é a destruição das fibras de amianto pela formação de vidros quando aquecido a temperatura acima de 800°C.
Este projeto de pesquisa, no valor de R$ 40.000,00, é financiado pela Fapesp. Os pesquisadores Marco Utrera Martines e Daniela Grando também são bolsistas da Fapesp.
FONTE:
Por Marco Antonio Utrera Martines, Daniela Grando Sidney,
José Lima Ribeiro e Younes Messadeq*
(*) Marco Antonio Utrera Martines é pós-doutorando no IQ/Unesp. Daniela
Grando é mestranda no IQ-Unesp. Younes Messadeq e Sidney José Lima
Ribeiro são professo
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